No silêncio do quarto, olhei para o carvão que repousava sobre a mesa, me aguardando. Senti as suas condições ásperas em uma mão, enquanto a gramatura da tela se revelava sob os dedos da outra.
Ergui a tela verticalmente para endireitar a espinha e trazer postura para o ambiente.
Ajustei a lâmpada para que seu brilho iluminasse o espaço. Usei tiras de crepe para proteger a borda da tela. Iniciei a busca pelo esfuminho, mas, ao longo do caminho, percebi que ele é uma ferramenta destinada àqueles que realmente sabem o que estão fazendo. Desisti, para simplesmente começar.
Os planos do meu desenho revisitaram rascunhos que eu já havia feito. Em minha mão, o carvão e a borracha eram grandes parceiros. Aos poucos, as formas e os contornos começaram a surgir, como sussurros.
Sobrepus camadas com carvão, criando contrastes. Usei a borracha para trazer os destaques. Cada erro e cada mancha se transformavam em novas oportunidades.
Diante do esboço finalizado, o meu coração palpitava. Os olhos perpassavam cada traço, celebrando a batalha, ansiando as cores, desejando o futuro.
Não guardei nada; deixei a tela em seu lugar, obstruindo o caminho para que io seu impacto reverberasse. Aquele esboço era uma semente, cultivada na esperança e pronta para florescer como uma nova criação.
O uisque havia acabado.


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